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Foto: Maurício de Paiva
A Amazônia é considerada a última fronteira do planeta, um exemplo de natureza intocada pela ação humana desde o início dos tempos. A arqueologia mostra que essa é uma falsa ideia. Do século XVI ao início do século XVII, quando os primeiros europeus visitaram ou se estabeleceram na Amazônia, era comum a referência à presença de grandes aldeias, algumas delas ocupadas por milhares de pessoas, integradas em redes de comércio e federações políticas regionais. Já no início do século XVIII tais referências desaparecem. Esse desaparecimento está ligado ao processo de diminuição populacional resultante da colonização europeia da Amazônia, consequência da transmissão de doenças, da guerra e da escravidão. Assim, a baixa densidade demográfica verificada entre os povos indígenas da Amazônia contemporânea resulta mais da história colonial da região que de alguma inaptidão às condições ecológicas locais.

A bacia Amazônica era densamente ocupada por diferentes povos indígenas no final do século XV, época do início da colonização europeia das Américas. Essa ocupação não era uniforme, variando no tempo e no espaço. Os modos de vida desses povos eram também variáveis: alguns grupos estavam organizados em sociedades hierarquizadas que viviam em assentamentos que hoje chamaríamos de cidades, enquanto outros eram nômades que tinham suas economias baseadas na caça, pesca e coleta. Mais importante, os povos que viviam na Amazônia antes do início da colonização europeia eram ancestrais dos povos indígenas e caboclos que ainda ocupam a região. A arqueologia é a ciência que estuda a História Antiga desses povos.

A Amazônia é ocupada há mais de 10.000 anos. Assim, é impossível entender aspectos da história natural da região sem que se considere a influência das populações humanas na formação de paisagens contemporâneas, do mesmo modo que não se pode entender a história dos povos amazônicos sem que se considerem também as relações que esses povos estabeleceram com a natureza.

As pesquisas arqueológicas na Amazônia têm uma tradição centenária - iniciada por pioneiros brasileiros e estrangeiros na segunda metade do século XIX. Paradoxalmente, apesar dessa tradição, existem ainda grandes lacunas no que se refere ao conhecimento da arqueologia da região. O mesmo vale para os outros países amazônicos, já que a pesquisa nesses locais é ainda bastante incipiente. As informações contidas nessa página pretendem trazer informações sobre a arqueologia da Amazônia, com foco em diferentes projetos desenvolvidos na região.