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20 de outubro de 2016

Museu científico mais antigo da Amazônia completa 150 anos

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Em 1866, foi inaugurado em Belém (PA) o Museu Paraense Emílio Goeldi. A instituição, que completa 150 anos nesta quinta-feira (6), possui 4,5 milhões de itens tombados em 18 coleções nas áreas de etnografia, arqueologia, linguística, minerais e fósseis e biológicas. Nesse período, consolidou-se como a instituição científica mais antiga da Amazônia e o segundo maior museu de história natural do Brasil.
"Uma das grandes ideias da história do País é a concepção de um museu de história natural na Região Amazônica. A partir daí, você quebra o paradigma de ter inventários feitos por pesquisadores estrangeiros. Isso foi um divisor de águas", avaliou o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior.
Batizado de Museu Paraense, ganhou projeção a partir de 1894, sob a direção do naturalista suíço Emílio Goeldi. Neste período, o Pará vivia o ciclo econômico da borracha. A exploração da seringueira na Região Amazônica provocou, a partir de meados do século XIX, uma profunda transformação na estrutura urbana das duas principais capitais da região, Belém e Manaus, além de impulsionar os estudos científicos.
Com uma equipe de técnicos e cientistas, o Museu Paraense se consolidou com o museu da Amazônia. Em 1895, foi criado o Parque Zoobotânico, mostra da fauna e flora regionais para educação e lazer da população. Exposições e conferências públicas foram organizadas para ilustrar o conhecimento da época. Em 1896, foi instalado um modelar Serviço Meteorológico. Grande parte da Amazônia foi visitada para formar as primeiras coleções zoológicas, botânicas, geológicas e etnográficas.
Na virada do século, o Brasil consolidava suas fronteiras. As pesquisas do Museu Paraense sobre a geologia, a geografia, a fauna, a flora, a arqueologia e a população foram decisivas para municiar a defesa dos interesses brasileiros, representada pelo Barão do Rio Branco. Em 1º de dezembro, pelo laudo de Berna, na Suíça, sede do julgamento internacional, o Amapá seria definitivamente incorporado ao território do Brasil. Em homenagem a Emílio Goeldi, o então governador Paes de Carvalho alterou a denominação do Museu Paraense para Museu Goeldi.
A década de 1910 começou com uma grande desvalorização da borracha amazônica no mercado internacional, provocada pela concorrência inglesa, seguida da 1ª Guerra Mundial, que interrompeu de vez o comércio com a Europa. Na esteira da ruína financeira da Amazônia, todas as atividades científicas e educacionais do Museu Goeldi foram interrompidas.
A partir de 1931, já com o nome Museu Paraense Emílio Goeldi, investimentos regulares na ampliação e equipagem do Parque Zoobotânico o tornaram reconhecido nacionalmente. Chegou a abrigar 2 mil exemplares de animais vertebrados, de centenas de espécies da região, muitas das quais raras ou pouco conhecidas.
Futuro
Para o linguista Nilson Gabas, o futuro do museu é se consolidar como um instituto de excelência da Amazônia. "Vejo o Goeldi como estratégico para o desenvolvimento da região. Porque não basta você preservar sem uma boa política de preservação. E também não basta usar sem uma boa política de uso. E o Goeldi é um norteador dessas duas forças que se contrastam", afirmou.
Escolhido para ser o palco principal das comemorações pelos 150 anos do Goeldi, o Parque Zoobotânico vai oferecer nesta quinta-feira uma série de atrações para a população, além de marcar a reabertura da Livraria do Museu e o início da revitalização de prédios e monumentos históricos.

Texto original em: http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2016/10/museu-cientifico-mais-antigo-da-amazonia-completa-150-anos

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