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26 de agosto de 2013

Sítios arqueológicos de Itacoatiara sofrem com a falta de cuidado - Acritica

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História do município, que possui 27 sítios arqueológicos registrados e nenhum museu, está perdendo seu registro.


Professora Antoniete exibe peças arqueológicas recolhidas em Velha Cerpa.
Foto: Euzivaldo Queiroz/Acrítica
“Nós moramos em cima de um enorme sítio arqueológico. Se você andar por todo o Amazonas, pela margem dos rios, é comum encontrarmos vestígios das civilizações passadas. O problema é que a maioria dos moradores não se importa com isso, e os governantes também não”. A declaração é de Maria Gama, especialista em museologia e uma das ativistas do município de Itacoatiara (a 176 quilômetros de Manaus), cidade onde há 27 sítios arqueológicos registrados e nenhum museu.

Em 2010, um estudo desenvolvido por arqueólogos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) catalogou 24 sítios arqueológicos na cidade. As peças encontradas datavam entre 1,5 mil e 5 mil anos e seriam postas em um museu a céu aberto, que nunca foi construído. Outros projetos, como o de Maria Gama, também foram descartados pelos gestores do município, alegando “falta de verba”. Conforme a secretária Municipal de Cultura, Aline Santos, o projeto não saiu do papel por questões burocráticas.

Enquanto o local não é construído, os moradores do município encontram cerâmicas e desenhos rupestres em pedras nos quintais de casa. A professora de artes Antoniete Maciel conta que encontrou 23 peças arqueológicas com mais de 5 mil anos no quintal da casa de uma amiga. “Fui visitar minha comadre que mora em frente ao rio Urubu. Ela me contou que tinha encontrado umas coisas antigas, um pouco quebradas, na frente de casa e tinham muitas ainda no quintal. Quando fui ver eram essas peças”, afirmou.

As peças encontradas por Antoniete foram levadas e catalogadas pelo Iphan, e retornaram ao município meses depois. “Às vezes, quando fazem exposições na cidade, eu levo as peças para as pessoas verem como era há muitos anos. Levo também para a sala de aula porque quero que meus alunos se conscientizem sobre o tema”, disse a professora que hoje também dá aulas sobre patrimônio cultural.

A falta de informação é percebida no cotidiano dos itacoatiarenses. O sítio arqueológico do Jauary, um dos principais da cidade, serve de cenário para as aulas de educação física da Escola Municipal Isaac Peres.

O professor Cleidimilton Paiva conta que o local é usado para a recreação porque a escola não possui uma área adequada para as práticas esportivas.

Cerâmicas são destaque em comunidade
A comunidade São José I, localizada na área rural de Itacoatiara, é um dos principais locais de escavação de cerâmicas pré-históricas. Por conta disso, as casas têm sido visadas por turistas estrangeiros e brasileiros de outros Estados que buscam adquirir essas peças.

Após ter encontrado 23 peças arqueológicas no quintal da casa da amiga, a professora Antoniete Maciel se tornou uma colecionadora conhecida da região. Ela é considerada referência dos moradores que desejam divulgar a exploração desordenada.

“O terreno da minha comadre virou um ponto visado depois de ter saído na imprensa como uma área arqueológica. Assim como o dela, dezenas de outras famílias são tentadas a vender seus terrenos a pessoas de fora que querem ter contato com essa história ao céu aberto”, conta a professora.

Atualmente as peças encontradas no município de Itacoatiara e que ficam na tutela da prefeitura são armazenadas no Centro Cultural Velha Serpa, área que atua como um museu provisório e pouco divulgado.

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