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13 de agosto de 2013

Arqueóloga dá aval para construção de torre de observação de geoglifos - G1

1 comentários
Mirante de 23 metros será construído em área na estrada de Boca do Acre.
Nova licitação será realizada para contratar empresa construtora.


Geoglifo localizado no estado do Acre.
Foto: Divulgação / UFPA
 A construção de uma torre para observação de geoglifos localizados no 'Sítio do Jacó Sá', no  km 40 da estrada de Boca do Acre (sentido Rio Branco/Boca do Acre), recebeu o aval da arqueóloga Eliany Salaroli La Salvia e a estrutura poderá ser erguida sem problemas.

A profissional, enviada pela empresa Tellus Consultoria S/A Ltda., responsável pelos estudos arqueológicos realizados na área de ocorrência de geoglifos, esteve durante toda a semana no local, onde realizou diversas escavações na área escolhida, de cerca de 241 metros quadrados, para receber o mirante, que de acordo com o projeto, terá 23 metros de altura.

"Fizemos toda a área onde será construído o mirante, escavamos de outra forma, com boca de lobo, para ver se tinha material, mas já se esperava que não tivesse. Então, ele vai poder ser construído no lugar que foi escolhido. Em qualquer ponto daquela área não tem nada. Fiz as intervenções, fui até um metro e meio de profundidade e não encontramos nada", diz Eliany Salaroli.

Do mirante poderão ser observados dois geoglifos. A arqueóloga destaca a simetria dos espaços, que ela avalia como 'perfeitos metricamente'. Ao todo, no Acre mais de 270 geoglifos estão identificados. Somados aos encontrados em  Rondônia, o número ultrapassa as 300 unidades.

"Para mim foi criado mais para realização de rituais. Infelizmente não encontrou-se nenhum esqueleto humano, nenhuma fogueira que pudesse indicar que tipo de alimentação eles tinham. Acham uma infinidade de fragmentos de cerâmica que quando consegue juntar vai mostrar potes e vasilhames. Além de um achado interessantíssimo, que é a urna de mais de um metro e meio", destaca.

Equipe da Tellus Consultoria explora o geoglifo "Jacó Sá".
Foto: Duaine Rodrigues / G1
Após fazer a análise da área aonde será construída a torre, Eliany Salaroli passou a pesquisar o contorno dos geoglifos. Com as buscas, diversos vestígios foram encontrados, mas poucas respostas.

"Localizamos vestígios, mas que não estão trazendo grandes respostas. Em dois dias, encontramos mais de 100 fragmentos de cerâmica no barranco que contorna um dos geoglifos. Os estudos que vimos foram realizados do valo para dentro, nunca para fora. Nós estamos fazendo para fora e estamos encontrando muita coisa", ressalta.

Ela acredita que a construção da torre, um projeto que é desenvolvido pela Secretaria de Turismo e Lazer do Acre (Setul), apoiada pelo governo do estado e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

"Tomara que atraia mais gente. Talvez chame os estrangeiros que estão mais próximos, bolivianos, peruanos. Mas devagar, se chega lá. Muita gente não sabe o que é geoglifo. Não é divulgado. O meio arqueológico sabe, mas na televisão não se fala muito. No Brasil ,as coisas são muito morosas", considera.

Nova licitação será realizada

A exigência dos estudos dos impactos ambientais foi feita por parte do Iphan, que não liberou a obra até obter o resultado da avaliação. O tempo passou e a licitação que foi realizada há dois anos para contratar a empresa responsável pela construção da torre acabou ficando com seu valor ultrapassado, já que a vencedora disse que não há condições de manter o preço fechado à época.

Por isso, em breve deverá ser feita uma nova licitação, segundo informou a coordenadora do projeto da torre de observação, Risoleta Queiroz, da Setul. "É um processo que deve levar de dois a três meses", afirma.

Ela ressalta a importância da construção para a comunidade da região. "Vai garantir a geração de emprego para a comunidade local, oferecendo cursos de línguas estrangeiras como inglês e espanhol, para condutor no espaço e de comidas e doces típicos", indica Risoleta.

Alunos visitam geoglifos

Um grupo de alunos da escola de ensino fundamental e médio, Capitão Edgar Cerqueira, localizada próximo ao local, foram conhecer o sítio arqueológico.

O diretor da instituição, Francisco Justino da Silva avalia como fundamental para a valorização da comunidade a construção da torre de observação no local, além de transformar-se em ponto turístico.

"Pode gerar emprego e renda, já que é uma área carente. Temos uma média de 30 a 40 alunos saindo anualmente da escola e muitos deles permanecem na comunidade. A expectativa é de que um dia eles possam entrar nesse mercado, quem sabe".


Para o jovem aluno do 1º ano do ensino médio, Kleberson Ferreira de Oliveia, de 15 anos, a participação na atividade é importante para o aprendizado. "Temos muitas dúvidas e sempre aparecem mais. Acho que a existência da torre vai ser essencial para dar mais destaque a eles [os geoglifos] e as perguntas comecem a ter respostas", afirma.

Fonte: G1

1 comentários :

Francisco J.B.Sá disse...

Os geóglifos,formações que nos falam arqueologicamente de uma possível civilização pré-amazônica,devem ter seus estudos e e pesquisas ampliados,pois seus efeitos sobre a pré-história amazônica são irrefutáveis.e sobretudo pra que se conheça de forma precisa,o que determinou sua formação em termos de símbolos e cultura.O que interessará de forma profunda à antropologia.Poderá explicar ou elucidar o desaparecimento de culturas em função de alterações climáticas.

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