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3 de abril de 2013

Ponte Brasil-Colômbia - Revista de História da Biblioteca Nacional

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Países fecham acordo de intercâmbio cultural que prevê projeto de identificação de sítio arqueológico e estudo de populações quilombolas

Por: Aline Salgado

Os governos brasileiro e colombiano fecharam parceria cultural que vai facilitar a troca de experiências entre as duas nações na preservação e na gestão do patrimônio material e imaterial. O  intercâmbio promete, inclusive, viabilizar a identificação de sítio arqueológico de povos indígenas na Amazônia, dar o pontapé inicial para estudos de populações quilombolas na Colômbia, além de trazer luz para novos usos e intervenções urbanas em áreas tombadas no Brasil.
O pacto de cooperação técnico e cultural foi selado, no início deste ano, entre autoridades colombianas ligadas ao Ministério da Cultura e à Secretaria de Assuntos Internacionais e, pelo lado do Brasil, representantes da direção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). "Por meio do intercâmbio com a Colômbia, daremos continuidade a trabalhos já em andamento, como o projeto de cartografia cultural na Amazônia, o Mappeo, além de aprendermos, com a boa experiência deles, a orientar  projetos de intervenções urbanas em sítios e áreas tombadas", destaca Jurema Machado, presidente do Iphan.
Através do apoio do Instituto Socioambiental (ISA) – associação sem fins lucrativos ligada aos direitos indígenas no Brasil – Brasil e Colômbia planejam identificar e mapear sítios sagrados de povos indígenas e outras populações que viveram na Amazônia, na divisa entre os dois países. Além disso, por meio da experiência acumulada no Brasil no estudo das populações quilombolas e da relação dessas comunidades com a sociedade contemporânea, o país vai “emprestar” conhecimento para que a Colômbia dirija as pesquisas sobre povos palenques, remanescentes de comunidades afros, em região próxima a Cartagena.
Do lado brasileiro, a troca virá através de ideias e soluções para novos usos e intervenções urbanas em áreas e sítios tombados. Segundo a presidente do Iphan, a Colômbia tem vasta experiência na contratação de projetos arquitetônicos que pensam as áreas tombadas interligadas à cidade, com destaque para as intervenções em espaços públicos em Bogotá e Cartagena.
 "Aqui, no Brasil, andamos meio perdidos. Ou fazemos intervenções miméticas, a ponto de esconder a mudança, ou pecamos pelo excesso de intervencionismo. Falta uma certa serenidade à produção arquitetônica contemporânea brasileira na relação entre bens e sítios tombados. Precisamos estimular esse debate conceitual e teórico", critica Jurema Machado.
A Colômbia também vai contribuir com o fundo bibliográfico especializado sobre a gestão do patrimônio cultural no Brasil. A chamada Biblioteca de Referência, que está sendo instalada no Centro Lucio Costa, no Palácio Gustavo Capanema (RJ), reunirá produções ligadas ao patrimônio feitas na América do Sul e nos países africanos de língua portuguesa. A previsão do Iphan é de que, até o fim do ano, um banco de dados de compartilhamento de estudos e pesquisas esteja disponível.

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