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4 de abril de 2013

Pesquisa no Forte Cumaú revela história desconhecida do Amapá - Portal Amazônia

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Pesquisa inédita partiu da iniciativa da comunidade do Igarapé da Fortaleza. Arquitetura, história e cultura do forte colonial do século XVII foram reveladas.
Por: Paula Monteiro

Esboço de como seria o forte.
Foto: Fernando Marques/Divulgação
MACAPÁ- Durante um ano, uma equipe de pesquisadores, estudantes e moradores do bairro Igarapé da Fortaleza participaram de uma pesquisa sobre a história do Forte Cumaú, localizado no Igarapé da Fortaleza, Distrito de Santana, no Amapá. Os resultados, que abrangem arquitetura, história, educação, arqueologia e cultura, revelam uma parte importante e pouco conhecida sobre o processo histórico do Estado e do Brasil.

O estudo aponta que o forte é uma obra inglesa construída no século XVII, com mão de obra indígena local. A fortificação foi motivo de luta por sua posse entre potências européias. A construção inglesa de 1631, foi tomada pelos portugueses e depois arruinada. Em 1688, os portugueses, então, construíram outra fortificação em seu lugar, a qual foi utilizada até a construção da Fortaleza de São José de Macapá. Porém, em 1697, o espaço passou para o domínio dos franceses, que o abandonou, restando somente suas ruínas.

Escavações no Forte.
Foto: Megalitismo na Foz do Amazonas
O eixo de pesquisa da arquitetura buscou o que restou hoje da fortificação. Vestígios materiais de roupas européias e ferramentas indígenas indicam o processo de civilização do período colonial. O Forte Cumaú entrou em estágio de ruína e, apesar de algumas alterações causadas pelo homem no lugar, como construção de galpões por moradores, verificou-se que o forte está em ótimo estado de conservação.

Quanto aos grupos indígenas que participaram da construção do forte, o arqueólogo João Saldanha explica que não é possível identificá-los. “O material encontrado é considerado pré-histórico. Nunca foi estudado. Os grupos desapareceram ao longo do tempo e assim, não há como associar ou comparar com os grupos já estudados”, disse.

Antes da pesquisa multidisciplinar, havia a ideia de que o forte era feito de  pedra, quando na verdade, foi erguido em taipa de barro. O método, comum à época, consiste numa estrutura de ripas de madeira ou bambu, que formam um gradeamento, cujos vazios são preenchidos com barro amassado.


Solicitação

A pesquisa inédita sobre o Forte Cumaú partiu da iniciativa da comunidade do Igarapé da Fortaleza em conhecer mais sobre sua própria história e preservar o monumento. A comunidade solicitou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Amapá (IPHAN/AP), o qual contratou o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), para realizar estudos históricos e arqueológicos e comprovar que essa ruína se trata realmente do Forte Cumaú.

A pesquisa está em fase de conclusão. Cerca de dez pessoas estão envolvidas no projeto. As informações coletadas serão entregues ao Iphan, o qual vai analisar juridicamente todos os dados, além de verificar se o Forte do Camaú será tombado e passar a ser um bem protegido pela União.

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