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14 de abril de 2013

Estudo realiza panorama dos trabalhos arqueológicos desenvolvidos no Gasoduto Coari-Manaus - SECTI

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Por: Anália Barbosa

Realizada entre os anos de 2006 e 2009, as obras de construção do Gasoduto Coari-Manaus atingiram uma extensão de aproximadamente 400 quilômetros em linha reta até Manaus, abrangendo os municípios de Coari, Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba. Entre os impactos causados por essa obra de grande porte estão os que afetam o patrimônio arqueológico da região.

Coleta de material no sítio Gravetão - Anamã/AM.
Foto: Claide Moraes / Divulgação.
Os trabalhos de arqueologia e a eficácia das ações desenvolvidas para preservação do bem arqueológico identificado durante as obras foram analisados no trabalho de conclusão de curso apresentado por Francisco Vilaça Nunes, um dos formandos da primeira turma do curso de Arqueologia, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), pioneiro no Estado.

“O objetivo da arqueologia é salvaguardar o patrimônio afetado direta e indiretamente pelas obras. Podemos dizer que a arqueologia no Amazonas está dando seus primeiros passos para se consolidar e que a importância de profissionais qualificados é de suma importância para preservação e manutenção dos bens arqueológicos, mesmo quando estes bens são ameaçados pelo crescimento econômico. O Gasoduto Coari- Manaus é um bom exemplo de como gerar conhecimento sem causar impacto ao patrimônio arqueológico e contribuir para o conhecimento desta área no estado”, afirmou Nunes.

O arqueólogo Francisco Villaça Nunes durante o Sitio Escola no sítio Caldeirão, em Iranduba.
Foto: Francisco Nunes.

No total, foram identificadas 35 áreas com material arqueológico no traçado da obra, percorrida em sua totalidade pela equipe responsável pelo Projeto de Levantamento e Resgate Arqueológico do Gasoduto Coari Manaus. Destes, 17 com pequena ocorrência de material ou sítios fora do trecho da obra e 18 sítios arqueológicos com resgate e análise laboratorial. “Em relação aos grandes sítios que seriam impactados, foi realizado acordo com a Petrobras para que as clareiras das obras fossem realocadas. Nos casos excepcionais foram resgatadas amostras significantes para posteriores estudos em laboratório”, disse o formando.

Nunes destaca o trabalho de divulgação dos conhecimentos arqueológicos junto às populações dos municípios por onde passou a obra. Foram promovidas oficinas em escolas e comunidades com a utilização de um conjunto de materiais arqueológicos coletados em superfície.

Entre os achados estão sítios cerâmicos, urnas funerárias com sinal de sepultamento, cemitérios, utensílios domésticos e sinais da existência de praças. As aldeias podiam abrigar até 6 mil pessoas. “A datação desse material é de cerca de 500 anos. Esses sítios eram provavelmente do período em que a população indígena teve contato com os colonizadores”, afirmou Nunes que realizou a pesquisa sob a orientação do professor Francisco Girão.

PROJETO DE ARQUEOLOGIA DO GASODUTO

Nunes integrou a equipe do Projeto de Levantamento e Resgate Arqueológico do Gasoduto Coari Manaus formada por cerca de 20 pessoas, entre pesquisadores e discentes, coordenada pelo pesquisador Eduardo Góes Neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia do Estado de São Paulo (MAE-USP) , que realizou o trabalho de prevenção arqueológica nas obras do gasoduto.

Vasilhame cerâimca evidenciado no sítio São Paulo II
município de Coarí. Foto: Helena Lima / Divulgação.
A coordenadora do curso de Arqueologia da UEA, arqueóloga Arminda Mourão, destacou a importância do estudo para a divulgação do conhecimento científico realizado no programa estudado. “É uma ótima iniciativa falar de uma experiência vivida e pouco conhecida. Poucos de nós, mesmo sendo da área, não temos acesso às informações sobre os achados arqueológicos no estado. O Amazonas é um manancial de acervo e material arqueológico que necessita ser resgatado. Precisamos saber quem passou por aqui”, disse.

Para realização do levantamento arqueológico, a equipe percorreu todos os 400 quilômetros do traçado do gasoduto. Além do reconhecimento visual de superfície, o grupo realizou, a cada 100 metros, o trabalho de sondagem com a utilização da ferramenta boca de lobo.

O programa de arqueologia na área de abrangência do Gasoduto Coari-Manaus, atende às legislações ambientais e de proteção ao patrimônio arqueológico.

PRIMEIRA TURMA DE ARQUEOLOGIA DO AMAZONAS

Os primeiros estudos sobre arqueologia no Amazonas foram realizados em meados das décadas de 1950 e 1960 por conta da implantação do Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas (Pronapa), que tinha como objetivo levantar o potencial arqueológico em todas as regiões do Brasil.

Após esses estudos ligados ao Pronapa, somente no final da década de 1990 é que outras pesquisas arqueológicas são realizadas no estado, com o Projeto Amazônia Central (PAC) conduzido pelo pesquisador do MAE-USP, Eduardo Góes Neves. Financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), o projeto se desenvolveu entorno da cidade de Manaus consistiu na catalogação e cadastro dezenas de sítios arqueológicos. Este projeto se popularizou no município de Iranduba, onde foram descobertos vários sítios, resultando em pesquisas de mestrado e doutorado.

O interesse do poder público levou à criação, em 2009, do primeiro curso de bacharelado em Arqueologia do Amazonas, promovido pela UEA.


VOCÊ SABIA…



Por lei, toda obra de médio ou grande porte exige estudo histórico do solo. A determinação de que todo canteiro de obras deve passar pela análise de um arqueólogo veio em 2002, com uma portaria publicada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Fonte: Secretaria do Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI)

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