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7 de abril de 2013

A Indiana jones do amazonas - ISTOÉ Independente

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Apenas uma jovem arqueóloga é responsável por proteger os tesouros das populações antigas dessa região, povoada há sete mil anos
Por: Tamara Menezes

Foto: ISTOÉ.
Ela se embrenha pela Floresta Amazônica, viaja de barco pelos rios da região e sobrevoa o vasto Estado amazonense de helicóptero no dia a dia de seu trabalho. Espécie de Indiana Jones nacional, a arqueóloga Elen Caroline de Carvalho Barros, 24 anos, é a única defensora da herança dos povos que viveram naquela área nos últimos sete mil anos. A responsabilidade é grande, mas Elen diz que adora desafios. Sozinha no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Amazonas, ela dá aval para o avanço de projetos de infraestrutura a partir de pesquisas realizadas em sítios arqueológicos descobertos nas obras. Todas as grandes empreitadas, inclusive projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da Copa do Mundo de 2014, precisam desse aval para obter as licenças ambientais obrigatórias.

“Tem gente construindo sem saber se pode, mas tudo precisa de licença”, diz Elen. Como toda a região foi densamente povoada até dois mil anos atrás, há vestígios de povos indígenas por todo lugar. Ao todo, são 300 sítios arqueológicos no Estado e a missão dela é salvar os tesouros amazônicos. “A demanda é imensa e nem sempre dá para fazer da maneira ideal”, diz Danilo Curado, funcionário do Iphan de Rondônia que foi transferido temporariamente para auxiliá-la nas demandas do Amazonas. Há ainda o problema de tráfico de peças. Até urnas indígenas com mais de um metro de altura são contrabandeadas, e também cabe a ela coibir os negócios fraudulentos. No passado, nessa região, havia grandes aldeias que, embora não fossem cidades, eram sociedades complexas com divisão de trabalho, ordenamento urbanístico, comércio e crenças compartilhadas.

A guardiã de todo esse patrimônio tem origem humilde. Primeira da família, oriunda de Juazeiro (BA), a entrar para a universidade, ela precisou se mudar para São Raimundo Nonato (PI) para estudar, aos 17 anos. Lá, conheceu a pesquisadora Niède Guidon, sua referência na arqueologia. Foi aprovada no concurso para o Iphan enquanto se graduava na Univasf (Universidade do Vale do Rio São Francisco). “Cada camada de terra é uma página de livro que nós vamos lendo, elas mostram de onde viemos”, diz Elen. “Fui estudar arqueologia para saber de onde vim, saber mais dos meus antepassados.” 

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