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3 de abril de 2013

A cordilheira e a floresta - Revista de História da Biblioteca Nacional

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A pouco conhecida relação entre os incas e os índios amazônicos revela intensas trocas culturais e resistência à expansão do império andino

Por: Cristiana Bertazoni

Chavín de Huantar.
Fonte: peru.travelguia.com
Enquanto os incas desfrutavam de uma sociedade numerosa, complexa e sofisticada, os povos da Amazônia eram simples, esparsos e com conhecimentos rudimentares. Esta é a ideia reproduzida pela maioria dos livros de História, quando se trata do período pré-colombiano na América do Sul. Felizmente, esta visão dicotômica está hoje ultrapassada e a divisão radical entre Andes e Amazônia, como se fossem duas áreas culturais separadas e incomunicáveis, nunca existiu.
O intercâmbio cultural entre os povos andinos e amazônicos vinha de milênios de convivência. Habitando áreas geográficas próximas, compartilhavam costumes, línguas, canções, histórias e sabedorias. A floresta tropical comportava um número expressivo de habitantes e a dinâmica social dos grupos lá estabelecidos era bem mais complexa do que se pensava. O Império Inca, por sua vez, precisou ter uma postura flexível e diplomática para tentar conquistar os povos indígenas que viviam na Amazônia ocidental.
Extensas e antigas redes de comércio de longa distância ligavam Andes e Amazônia, permitindo um fluxo constante de produtos procedentes das duas áreas. Enquanto penas, algodão, tecidos e plantas subiam a cordilheira, metais (machados de cobre) e tecidos de lã desciam para a floresta. A iconografia do templo andino Chavín de Huantar (1.000 a.C., 250 quilômetros ao norte de Lima) é repleta de ícones da floresta. Restos de madeira chonta (Palmae), típica da Amazônia, foram encontrados em plataformas cerimoniais incas localizadas no topo de nevados andinos (c. 1.400 d.C.).



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