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13 de março de 2013

Em Paricatuba, peças com 5 mil anos de história ameaçadas pelo abandono - Portal do Holanda

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Pouco se houve falar em Paricatuba - uma pequena comunidade localizada no município de Iranduba, a 22 quilômetros de Manaus. Praticamente isolada de Manaus pela sua densa vegetação, a margem direita do Rio Negro, Paricatuba é uma porta aberta principalmente para o turismo, à ciência e à pesquisa.

O pequeno vilarejo, que em 1898 sediou o Instituto Afonso Pena (leia abaixo), reúne um dos mais importantes monumentos históricos do Amazonas, além de rico patrimônio arqueológico que atrai pesquisadores e turistas de toda parte do país.

Com tanta riqueza histórica e paisagística à disposição da humanidade, Paricatuba foi incluída nos principais pacotes turísticos do estado – fato que corresponde tão somente o ponto de partida do processo de emancipação de uma sociedade que no passado foi expulsa da localidade por força do preconceito alimentado à época contra hansenianos que ocupavam o local.

A cada metro quadrado da comunidade podem ser encontradas peças valiosas que remetem à pesquisa de informações  sobre a ocupação da Amazônia, ou até mesmo desvendar as fases de ocupação desse pedaço de Brasil, declarada patrimônio arqueológico da União em 1961, pela lei 3924.

Até que os primeiros pesquisadores pusessem os pés em Paricatuba, como o arqueólogo Eduardo Góes Neves, os habitantes da comunidade já colecionavam peças de grande valor para a compreensão arqueológica e sociológica do estado, como cerâmicas, urnas funerárias, símbolos zoomórficos – muitas delas com até cinco mil anos de existência.

Entre os colecionadores da comunidade destaca-se a terapeuta, Rosângela Mamulengo, uma baiana que chegou a Paricatuba como ativista do Movimento de Reintegração ao Portador de Hanseníase (Morhan).

Rosângela e seus filhos reúnem milhares de peças arqueológicas, cuidadosamente guardadas como se cada uma representasse parte integrante de seus corpos.

Durante vários anos, as peças guardadas por ela foram alvo de constante do assédio de colecionadores, entre eles o dono do falido Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, que tentou tirar da ativista o material colecionado. O assédio era tanto que Rosângela foi obrigada a procurar a Polícia Federal para denunciar o banqueiro.

Com a construção do gasoduto Coari/Manaus vários pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade de São Paulo (USP) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Ipahn), desenvolveram suas atividades na localidade.

Arqueologia e história juntos

As ruínas do extinto Instituto Afonso Pena, que remonta a 1898, representa uma das mais belas imagens dentro do cenário paisagístico da comunidade de Paricatuba. Tomadas por possantes raízes da árvore do Apui, as velhas ruínas ainda conseguem chamar a atenção do turista sempre atento aos relatados dos moradores da comunidade em torno da obra idealizada pelo então governador do Amazonas, Eduardo Ribeiro.

De acordo com dados obtidos junto à comunidade, o Instituto Afonso Pena foi concebido, inicialmente, como hospedaria para receber imigrantes italianos no período da borracha. Mas, segundo relato de moradores, não funcionou. A malária se encarregou de afugentar a todos.

Em 1900, dois anos após sua fundação, o prédio foi ocupado por uma missão religiosa  espírita, que transformou a hospedaria no primeiro Liceu de Arte do estado. O Liceu funcionou até 1908, desenvolveu a técnica agrícola, a mecânica e a arte de recuperação de livros.

Por determinação do governo, o liceu encerrou suas atividades em 1916, quando foi transformado na primeira cadeia pública de Manaus.

Somente com a construção do presídio da Sete de Setembro, Desembargador Vidal Pessoa, inaugurada em 1924, foi desativada o presídio de Paricatuba. Depois de uma reforma, que durou um ano, conforme informações da comunidade, o Instituto Afonso Pena é transformado em leprosário.

O primeiro grupo de portadores do mal de hansen chegou à localidade em 1930. Lá permaneceu até 1962, quando foi expulso devido à interpretação equivocada de que era responsável pelo aumento da doença, transmitida pela água do rio Negro.

A interpretação foi de cunho estritamente preconceituosa. À época diziam que, por estarem em contato com o rio, os moradores de Manaus seriam contaminados pela doença.

Transferidos para a Colônia Antônio Aleixo, o extinto leprososários é transformado em escola de Primeria a Quarta Série e depois em posto de saúde.

A partir de 1969 começa o processo de ruínas do antigo pavilhão.  






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