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27 de fevereiro de 2013

Amazonas: Peças pré-históricas correm perigo - Band Notícias

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Foto: Alberto Júnior.

Um acervo arqueológico valioso está amontoado em um galpão improvisado na Universidade Federal do Amazonas. As peças coletadas na região amazônica e que pertenciam a civilizações pré-históricas já deveriam estar em um laboratório adequado, mas a Petrobras, responsável por arcar com a construção do local, até hoje não deu início ao projeto.

O trabalho para reconstituir a urna funerária é minucioso. Ela tem centenas de anos e pode explicar mais sobre as civilizações que viviam na Amazônia milhares de anos atrás.

As escavações arqueológicas na região foram intensificadas com o projeto Amazônia central, nos anos noventa. Restos de ossos humanos, urnas e cerâmicas com datações de até 9 mil anos nos ajudam a entender nosso passado e o processo de ocupação da floresta.

“Faz 9.000 anos que tem gente morando aqui, e tinha, em algum momento, simulações grandes. Isso muda a visão de uma floresta virgem para uma floresta habitada, e a arqueologia trazida nova perspectiva para ecologia da região e talvez para assuntos de preservação da Amazônia, para entender o seu manejo hoje, temos que ter uma ideia de como foi utilizada no passado”, explica a arqueóloga Myrtle Shock.

Mas todo esse tesouro está ameaçado.  As peças estão amontoadas em centenas de caixas e grades neste galpão. Os profissionais, como Ângela Araújo, ainda têm de lidar com a constante falta de energia e de água. “Tem dias que falta água, falta energia, falta o pessoal da limpeza. Quando não tem água, para-se tudo, porque o material também precisa de limpeza.”

Não há como controlar a umidade e a temperatura no local, o que, segundo Myrtle Shock, prejudica a conservação das peças. “Pode deteriorar os materiais, quando você fala de material ósseo, que vem de sepultamento indígena, mudanças na umidade pode fazer que o osso quase começa a esfarelar e não vai preservar para o futuro, sem controlar essa situação.”

Ao lado do galpão, uma lixeira viciada. A prefeitura do campus universitário disse que cedeu o espaço para guardar as peças encontradas em sítios arqueológicos espalhados pelo estado. Mas seria por um período curto, o tempo necessário para a construção do novo laboratório de arqueologia. Passados sete anos não há sinal algum do início da obra.

A Petrobras é a responsável por bancar o laboratório, com custo estimado em R$ 4,8 milhões. Seria uma das compensações ambientais pela obra do gasoduto Coari-Manaus, inaugurado em 2009. O diretor Manassés Ibernon conta. “O projeto, a licitação, a obra, o recurso, tudo isso é gestão da Petrobras, a UFAM entra para receber o edifício. Desde 2006 para cá, sem resolução, na verdade, o maior problema é para Petrobras, porque ela foi morosa em realizar o processo licitatório e execução da obra.”

A previsão é que o contrato para a construção do laboratório de arqueologia seja assinado em março. O início da obra está previsto para abril deste ano e deve durar 12 meses, até lá, todo esse patrimônio valioso continuará ameaçado.

“Nós não temos o apoio necessário que nós precisaríamos, isso é triste mesmo! Eu vejo isso como um descaso”, constata Ângela.

De acordo com a Petrobras, a empresa já realizou processo licitatório para a construção do laboratório de arqueologia. As obras devem iniciar depois da assinatura do termo de convênio com a UFAM.


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