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22 de janeiro de 2013

Zona de Risco: Eduardo Neves e a Amazônia pré-histórica - Revista da National Geographic Brasil

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Por André Julião

Foto: National Geographic Brasil

Eduardo Neves se dedica, há mais de 20 anos, a entender a complexa sociedade que ocupou a Floresta Amazônica 14 mil anos atrás e viveu seu apogeu por volta do ano 1000. Embora não tenham construído pirâmides como os vizinhos incas, os antigos povos amazônicos deixaram uma cerâmica sofisticada e um solo alterado para o cultivo de alimentos (a terra preta), em uma região difícil à agricultura. Com a ajuda da National Geographic Society e da Nasa, o arqueólogo quer agora descobrir quando ocorreram as primeiras modificações na paisagem e revelar mais a respeito dessa civilização.
O que torna essas populações antigas tão fascinantes?
Ainda não conseguimos encontrar uma maneira eficiente de ocupar a Amazônia, sem gerar destruição. Mas aquelas populações desenvolveram uma forma de ocupação bem adaptada às condições ambientais da região. Eram estilos de vida sustentáveis.
Como tem sido a vida na região?
Bem agitada. Já contraí malária, dengue, hepatite. Fui picado por cobra, tive um revólver apontado para mim, vi um amigo morrer do meu lado em um assalto...
Picada de cobra?
Eu estava procurando por cacos de cerâmica e senti uma fisgada na perna esquerda [mostra uma cicatriz de 5 centímetros]. Vi sangue saindo de dois furos e uma cobra enrolada na minha frente. Depois de horas de viagem de canoa e de lancha, chegamos a Canutama, na beira do rio Purus, no Amazonas. O único médico estava bêbado, era domingo e não tinha soro. Eu só chegaria a Lábrea, a próxima cidade, no dia seguinte.
E como sobreviveu?
Para minha sorte, pousou o helicóptero de um amigo, Paulo Sérgio de Miranda Corrêa. Quando ele chegou ao hospital, eu já estava vomitando sangue. Vinha uma tempestade, tinha anoitecido, e o helicóptero não era homologado para viajar à noite. Mas Paulinho disse que, se não me tirasse dali, eu ia morrer. A aeronave era pequena e tinha só um GPS de mão. E não havia luz em terra para seguir. Chegamos a Lábrea, me deram quatro ampolas de soro e, no dia seguinte, me levaram para Manaus, onde tomei mais 16. Foram 12 dias internado. Eu ligava todo ano para o Paulinho no aniversário da picada para lhe agradecer. Um dia antes dos quatro anos do acidente ele morreu em uma queda de avião com o fotógrafo francês Nicolas Reynard, de National Geographic.

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