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23 de janeiro de 2017

IV Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica - Trinidad, Beni

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EIAA – Encontro Internacional de Arqueologia Amazônia

O Encontro Internacional de Arqueologia Amazônia (EIAA) constitui um espaço de difusão e discussão sobre as últimas descobertas arqueológicas da região.
Peru, Equador, Colômbia e Bolívia mostram seu rosto amazônico e iniciam um diálogo com o passado pré-colombiano do Brasil, Venezuela, Guiana Francesa e Suriname. Cerca de 60 arqueólogos que desenvolvem pesquisas nestes nove países amazônicos se reúnem para discutir temas como o povoamento da América do Sul e o desenvolvimento das sociedades amazônicas.
Temáticas ligadas às antigas tecnologias agrícolas, a influência das mudanças climáticas, as modificações da paisagem, o desenvolvimento das artes e da tecnologia, a diversidade dos padrões culturais serão apresentados e discutidos durante esse intensivo encontro que reunirá profissionais da América do Sul, América do Norte e Europa.
Os novos resultados arqueológicos darão a oportunidade aos pesquisadores de refletir e debater sobre novas áreas e temas a serem pesquisados. O caráter inclusivo da conferência promove o desenvolvimento de projetos multidisciplinares e a colaboração internacional.

História do Evento

Os primeiros Encontros Internacionais de Arqueologia Amazônica foram organizados no Brasil, nas cidades de Belém (2008) e Manaus (2009). O terceiro EIAA foi organizado em Quito – Equador (2013). Todos estes eventos tiveram um grande êxito e reuniram mais de 300 participantes das Américas e da Europa, o que reflete hoje o grande avanço da arqueologia amazônica.

Comissão Organizadora

A comissão será presidida pela Dra. Carla Jaimes Betancourt do Departamento de Antropologia das Américas da Universidade de Bonn.

Comitê Científico

Dra. Edithe PEREIRA (Museu Paraense Emílio Goeldi, Brasil), Presidente I EIAA
Dr. Eduardo Góes NEVES (Universidade de São Paulo, Brasil), Presidente II EIAA
Dr. Stéphen ROSTAIN (CNRS, Francia), Presidente III EIAA
Dr. Heiko PRÜMERS (Instituto Alemán de Arqueología)
Dra. Cristiana BARRETO (Museu Paraense Emílio Goeldi, Brasil)
Dr. Gustavo POLITIS (Universidad Nacional de la Plata, Argentina)
Dr. José OLIVER (UCL Institute of Archaeology)
Dr. Manuel ARROYO-KALIM (UCL Institute of Archaeology)

Datas do Evento

O IV Encontro Internacional de Arqueologia Amazônia será realizado de 1 a 7 de outubro de 2017.

Lugar

O encontro será realizado no Centro de Convenções da cidade de Trinidad, a capital do departamento do Beni – Bolívia. O Centro conta com uma sala para 300 pessoas e com o equipamento necessário para a realização das conferências. Duas salas serão dedicadas à exposição de posters. A realização do IV Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica em Trinidad é uma grande oportunidade de promover o patrimônio cultural dos Llanos de Mojos no cenário regional, nacional e internacional.

Mais infos em: http://www.4eiaa.com/pt/

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21 de outubro de 2016

Amazônia tem "oceano subterrâneo"

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A Amazônia possui uma reserva de água subterrânea com volume estimado em mais de 160 trilhões de metros cúbicos, estimou Francisco de Assis Matos de Abreu, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que terminou no dia 27 de julho, no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco.
O volume é 3,5 vezes maior do que o do Aquífero Guarani – depósito de água doce subterrânea que abrange os territórios do Uruguai, da Argentina, do Paraguai e principalmente do Brasil, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados (km2) de extensão.
“A reserva subterrânea representa mais de 80% do total da água da Amazônia. A água dos rios amazônicos, por exemplo, representa somente 8% do sistema hidrológico do bioma e as águas atmosféricas têm, mais ou menos, esse mesmo percentual de participação”, disse Abreu durante o evento.
O conhecimento sobre esse “oceano subterrâneo”, contudo, ainda é muito escasso e precisa ser aprimorado tanto para avaliar a possibilidade de uso para abastecimento humano como para preservá-lo em razão de sua importância para o equilíbrio do ciclo hidrográfico regional.
De acordo com Abreu, as pesquisas sobre o Aquífero Amazônia foram iniciadas há apenas 10 anos, quando ele e outros pesquisadores da UFPA e da Universidade Federal do Ceará (UFC) realizaram um estudo sobre o Aquífero Alter do Chão, no distrito de Santarém (PA).
O estudo indicou que o aquífero, situado em meio ao cenário de uma das mais belas praias fluviais do país, teria um depósito de água doce subterrânea com volume estimado em 86,4 trilhões de metros cúbicos.
“Ficamos muito assustados com os resultados do estudo e resolvemos aprofundá-lo. Para a nossa surpresa, descobrimos que o Aquífero Alter do Chão integra um sistema hidrogeológico que abrange as bacias sedimentares do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó. De forma conjunta, essas quatro bacias possuem, aproximadamente, uma superfície de 1,3 milhão de quilômetros quadrados”, disse Abreu.
Denominado pelo pesquisador e colaboradores Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), o sistema hidrogeológico começou a ser formado a partir do período Cretáceo, há cerca de 135 milhões de anos.
Em razão de processos geológicos ocorridos nesse período foi depositada, nas quatro bacias sedimentares, uma extensa cobertura sedimentar, com espessuras da ordem de milhares de metros, explicou Abreu.
“O Saga é um sistema hidrogeológico transfronteiriço, uma vez que abrange outros países da América do Sul. Mas o Brasil detém 67% do sistema”, disse.
Uma das limitações à utilização da água disponível no reservatório, contudo, é a precariedade do conhecimento sobre a sua qualidade, apontou o pesquisador. “Queremos obter informações sobre a qualidade da água encontrada no reservatório para identificar se é apropriada para o consumo.”
“Estimamos que o volume de água do Saga a ser usado em médio prazo para abastecimento humano, industrial ou para irrigação agrícola será muito pequeno em razão do tamanho da reserva e da profundidade dos poços construídos hoje na região, que não passam de 500 metros e têm vazão elevada, de 100 a 500 metros cúbicos por hora”, disse.
Como esse reservatório subterrâneo representa 80% da água do ciclo hidrológico da Amazônia, é preciso olhá-lo como uma reserva estratégica para o país, segundo Abreu.
“A Amazônia transfere, na interação entre a floresta e os recursos hídricos, associada ao movimento de rotação da Terra, cerca de 8 trilhões de metros cúbicos de água anualmente para outras regiões do Brasil. Essa água, que não é utilizada pela população que vive aqui na região, representa um serviço ambiental colossal prestado pelo bioma ao país, uma vez que sustenta o agronegócio brasileiro e o regime de chuvas responsável pelo enchimento dos reservatórios produtores de hidreletricidade nas regiões Sul e Sudeste do país”, avaliou.
Vulnerabilidades
De acordo com Ingo Daniel Wahnfried, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um dos principais obstáculos para estudar o Aquífero Amazônia é a complexidade do sistema.
Como o reservatório é composto por grandes rios, com camadas sedimentares de diferentes profundidades, é difícil definir, por exemplo, dados de fluxo da água subterrânea para todo sistema hidrogeológico amazônico.
“Há alguns estudos em andamento, mas é preciso muito mais. É necessário avaliarmos, por exemplo, qual a vulnerabilidade do Aquífero Amazônia à contaminação”, disse Wahnfried, que realizou doutorado direto com Bolsa da FAPESP.
Diferentemente do Aquífero Guarani, acessível apenas por suas bordas – uma vez que há uma camada de basalto com dois quilômetros de extensão sobre o reservatório de água –, as áreas do Aquífero Amazônia são permanentemente livres.
Em áreas de floresta, essa exposição do aquífero não representa um risco. Já em áreas urbanas, como nas capitais dos estados amazônicos, isso pode representar um problema sério. “Ainda não sabemos o nível de vulnerabilidade do sistema aquífero da Amazônia em cidades como Manaus”, disse Wahnfried.
Segundo o pesquisador, tal como a água superficial (dos rios), a água subterrânea é amplamente distribuída e disponível na Amazônia. No Amazonas, 71% dos 62 municípios utilizam água subterrânea (mas não do aquífero) como a principal fonte de abastecimento público, apesar de o estado ser banhado pelos rios Negro, Solimões e Amazonas.
Já dos 22 municípios do Estado do Acre, quatro são totalmente abastecidos com água subterrânea. “Apesar de esses municípios estarem no meio da Amazônia, eles não usam as águas dos rios da região em seus sistemas públicos de abastecimento”, avaliou Wahnfried.
Algumas das razões para o uso expressivo de água subterrânea na Amazônia são o acesso fácil e a boa qualidade desse tipo de água, que apresenta menor risco de contaminação do que a água superficial.
Além disso, o nível de água dos rios na Amazônia varia muito durante o ano. Há cidades na região que, em períodos de chuva, ficam a poucos metros de um rio. Já em períodos de estiagem, o nível do rio baixa 15 metros e a distância dele para a cidade passa a ser de 200 metros, exemplificou. 
texto original: http://agencia.fapesp.br/amazonia_tem_oceano_subterraneo/19541/
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20 de outubro de 2016

Museu científico mais antigo da Amazônia completa 150 anos

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Em 1866, foi inaugurado em Belém (PA) o Museu Paraense Emílio Goeldi. A instituição, que completa 150 anos nesta quinta-feira (6), possui 4,5 milhões de itens tombados em 18 coleções nas áreas de etnografia, arqueologia, linguística, minerais e fósseis e biológicas. Nesse período, consolidou-se como a instituição científica mais antiga da Amazônia e o segundo maior museu de história natural do Brasil.
"Uma das grandes ideias da história do País é a concepção de um museu de história natural na Região Amazônica. A partir daí, você quebra o paradigma de ter inventários feitos por pesquisadores estrangeiros. Isso foi um divisor de águas", avaliou o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior.
Batizado de Museu Paraense, ganhou projeção a partir de 1894, sob a direção do naturalista suíço Emílio Goeldi. Neste período, o Pará vivia o ciclo econômico da borracha. A exploração da seringueira na Região Amazônica provocou, a partir de meados do século XIX, uma profunda transformação na estrutura urbana das duas principais capitais da região, Belém e Manaus, além de impulsionar os estudos científicos.
Com uma equipe de técnicos e cientistas, o Museu Paraense se consolidou com o museu da Amazônia. Em 1895, foi criado o Parque Zoobotânico, mostra da fauna e flora regionais para educação e lazer da população. Exposições e conferências públicas foram organizadas para ilustrar o conhecimento da época. Em 1896, foi instalado um modelar Serviço Meteorológico. Grande parte da Amazônia foi visitada para formar as primeiras coleções zoológicas, botânicas, geológicas e etnográficas.
Na virada do século, o Brasil consolidava suas fronteiras. As pesquisas do Museu Paraense sobre a geologia, a geografia, a fauna, a flora, a arqueologia e a população foram decisivas para municiar a defesa dos interesses brasileiros, representada pelo Barão do Rio Branco. Em 1º de dezembro, pelo laudo de Berna, na Suíça, sede do julgamento internacional, o Amapá seria definitivamente incorporado ao território do Brasil. Em homenagem a Emílio Goeldi, o então governador Paes de Carvalho alterou a denominação do Museu Paraense para Museu Goeldi.
A década de 1910 começou com uma grande desvalorização da borracha amazônica no mercado internacional, provocada pela concorrência inglesa, seguida da 1ª Guerra Mundial, que interrompeu de vez o comércio com a Europa. Na esteira da ruína financeira da Amazônia, todas as atividades científicas e educacionais do Museu Goeldi foram interrompidas.
A partir de 1931, já com o nome Museu Paraense Emílio Goeldi, investimentos regulares na ampliação e equipagem do Parque Zoobotânico o tornaram reconhecido nacionalmente. Chegou a abrigar 2 mil exemplares de animais vertebrados, de centenas de espécies da região, muitas das quais raras ou pouco conhecidas.
Futuro
Para o linguista Nilson Gabas, o futuro do museu é se consolidar como um instituto de excelência da Amazônia. "Vejo o Goeldi como estratégico para o desenvolvimento da região. Porque não basta você preservar sem uma boa política de preservação. E também não basta usar sem uma boa política de uso. E o Goeldi é um norteador dessas duas forças que se contrastam", afirmou.
Escolhido para ser o palco principal das comemorações pelos 150 anos do Goeldi, o Parque Zoobotânico vai oferecer nesta quinta-feira uma série de atrações para a população, além de marcar a reabertura da Livraria do Museu e o início da revitalização de prédios e monumentos históricos.

Texto original em: http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2016/10/museu-cientifico-mais-antigo-da-amazonia-completa-150-anos
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DARQ promove a III Reunião da Regional Norte da Sociedade de Arqueologia Brasileira e a IV Semana Acadêmica de Arqueologia da UNIR

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III Reunião da Regional Norte da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB Norte) e a IV Semana Acadêmica de Arqueologia da UNIR serão realizadas entre os dias 06 e 11 de novembro de 2016, no Teatro Guaporé, na cidade de Porto Velho.

 

Trata-se de um evento científico bianual que reúne pesquisadores, professores, alunos de graduação e pós-graduação, além da sociedade civil, comprometidos com o estudo da Arqueologia e a preservação do patrimônio arqueológico da região Amazônica.

   O tema da reunião deste ano é “Arqueologia e Comunidades tradicionais na Amazônia” e o Departamento de Arqueologia da Fundação Universidade Federal de Rondônia (DARQ-UNIR) é o responsável pela organização geral do evento, tendo como parceiros a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), o Centro Acadêmico de Arqueologia Amazônica Eurico Miller (CAREM), a Superintendência da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL) e o Departamento de Artes (DARTES). 

   A programação conta com apresentações de pesquisas acadêmicas nas modalidades Comunicações, Simpósios, Pôsteres, Minicursos e Oficinas, além da realização de dois grupos de trabalho (sobre acervos arqueológicos da região Amazônica e sobre a profissão do arqueólogo).

   Em paralelo às discussões acadêmicas, haverá a apresentação de filmes documentários sobre o impacto de grandes obras de infraestrutura no patrimônio cultural material e nos diversos aspectos da vida das populações ribeirinhas amazônicas, lançamento de livros e a abertura da exposição intitulada “Memórias do Rio, paisagens no Madeira”, que abordará a história de longa duração no rio Madeira, que remete há 6.000 anos, enfatizando as construções, transformações e significações das paisagens, tanto pelas diversas populações indígenas que ocuparam estes locais, quanto pelas populações ribeirinhas que têm no rio Madeira seus referenciais simbólicos, identitários e de subsistência. A exposição terá lugar no Museu Palácio da Memória Rondoniense.

   Este evento regional pretende congregar arqueólogos, antropólogos e demais cientistas que trabalham com as populações da região Amazônica em uma semana de intensas discussões. Estão confirmados os seguintes conferencistas: Carla Jaimes Betancourt (German Archaeological Institute), Cristiana Barreto (Museu Paraense Emílio Goeldi), José R. Oliver (Institute of Archaeology/UCL - Inglaterra), Marcia Bezerra (Universidade Federal do Pará), Nigel Smith (Universidade da Flórida - Estados Unidos) e Ondemar Dias (Instituto de Arqueologia Brasileira/RJ).

   As inscrições para ouvintes permanecem abertas até o dia 20 de outubro e podem ser feitas através do linkhttp://goo.gl/forms/1pDalpk5yw8ea1J82.

   As circulares com demais informações sobre o evento podem ser acessadas nos sítios eletrônicos do DARQ/UNIR www.arqueologia.unir.br e da Sociedade de Arqueologia Brasileira www.sabnet.com.br.

   Mais informações também podem ser obtidas na página do evento nas redes sociais: fb.me/sabnorte2016.

 

Fonte: UNIR

Imagens (Clique na imagem para ampliar)
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Uma Amazônia Desconhecida - Entrevista com Eduardo Neves

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Imagine entrar em um avião em São Paulo, rumo à região Norte do Brasil. O voo, estimado em 5 horas, atravessa os Estado de São Paulo, de Minas Gerais e cruza a capital federal, em aproximadamente 2 horas. Daí pra frente, após o Estado do Tocantins, do alto da aeronave você começa a enxergar o início de um grande e interminável tapete verde. Uma imensa e indecifrável cobertura vegetal se abre e se estenderá abaixo dos seus pés, por longas 3 horas de voo. No meio deste tapete, rasgos. Muitos rasgos e recortes na mata densa, além de inúmeras colunas, finas ou grossas, de fumaça. Ora um tom acinzentado cobre o horizonte, ora esse tom se dissipa e a selva está ali, gigante e formosa. Debaixo deste tapete está escondida e enterrada muita história, muitos enigmas e pistas sobre o passado da região amazônica e do Brasil. Um território vasto, infinito e misterioso se apresenta aos passageiros antes da aterrissagem na cidade de Manaus, capital do Estado amazonense.
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  • A Amazônia Legal, conceito criado em 1966, atualmente inclui: Amazonas, Acre, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Maranhão, Goiás e Tocantins.
  • A região da Bacia Amazônica é compreendida pela grande bacia do Rio Amazonas, a maior bacia hidrográfica do planeta. São 25 mil quilômetros de rios navegáveis, e abrange seis países: Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela.
  • De acordo com o último censo demográfico, a região tem mais de 25 milhões de moradores,
e abriga aproximadamente 13% da população brasileira (estimativa do IBGE 2010).
  • A Amazônia Legal tem 5 milhões de quilômetros quadrados e abrange 59% do território brasileiro, distribuída por 775 municípios.
  • A Amazônia Legal representa 67% das florestas tropicais do mundo.
  • Se fosse um país, a Amazônia Legal seria o 6.º maior do mundo em extensão territorial.
  • Um terço das árvores do mundo estão na região, além de 20% das águas doces.
Quem lê ou ouve esta descrição, além de outras definições criadas pelo imaginário coletivo, sobre o que de fato é a grande Floresta Amazônica, costuma se deparar com a ideia e a hipótese que a considera uma área inóspita, e que sempre foi escassamente povoada. Uma área virgem, selvagem e intocada antes do Brasil ser descoberto, e que começou a ser destruída e modificada pela ação do homem e dos colonizadores que descobriram e conquistaram o Brasil em 1500. Ou ainda, por outro lado, surge uma outra possibilidade: seria a Amazônia berço de antigas civilizações?
Se ambas as expressões soam estranhas aos seus ouvidos, é porque as descobertas recentes sobre o passado da maior floresta tropical do mundo ainda não tinham sido reunidas num conjunto completo e coerente. A ocupação humana da região, na verdade, tem milhares de anos. As populações que ali viveram deixaram inúmeros testemunhos materiais de sua história, modificando inclusive o meio ambiente e essas teorias e estudos vêm já há algum tempo ganhando outros rumos, outros contornos e estabelecendo novas verdades.
Quem pode nos contar muito melhor essa história é Eduardo Góes Neves, professor titular de Arqueologia Brasileira e membro do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Ele é um dos principais responsáveis por colocar a Amazônia no mapa da arqueologia mundial. Eduardo é considerado um dos maiores arqueólogos do Brasil e do mundo, e é um antigo morador da Granja Viana, e vem com um grupo de pesquisadores brasileiros e de outras nacionalidades, estudando a região há mais de 25 anos.
Uma das conclusões dessa vida dedicada à arqueologia é: antes de Pedro Alvares Cabral por aqui desembarcar, a região amazônica já estava fortemente “domesticada” e não intocada, como muita gente ainda acredita.
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Eduardo atualmente encontra-se em Boston, lecionando na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, como Professor Visitante do Dep. de Antropologia e do Rockefeller Center, ministrando um curso sobre o passado da Amazônia e o futuro das florestas tropicais, e gentilmente atendeu e respondeu algumas perguntas à Revista Circuito, sobre seus temas de estudo e de trabalho, relacionados à arqueologia na Amazônia, como você pode conferir abaixo:
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13-b-eduardo-e-seus-irmaos-caio-adriana-e-patricia1. Você morou boa parte da sua vida na Granja Viana. Conte um pouco sobre essa fase e o seu despertar para a Arqueologia. 
Eu nasci em São Paulo, mas me lembro, ainda criança, de um terreno que meu pai tinha comprado no meio do mato, em Cotia. Lembro-me também de visitar as obras da construção da casa, que é o lugar onde eles vivem até hoje. A casa ficou pronta em 1974 e nos mudamos em 1976, há 40 anos. Tudo mudou muito, obviamente. Eu moro há muitos anos em SP, mas volto sempre à Granja pra ver meus pais, irmãs, tios e primos que moram aí. Meu Título de Eleitor era em Cotia até poucos anos atrás. Eu gostava muito de andar pelo mato quando era criança, e ter crescido na Granja me proporcionou isso. Vivemos alguns anos sem telefone, a luz acabava sempre. Naquela época a sensação era que estávamos longe mesmo da cidade, e a vida aí tinha um certo sabor de aventura. Acho que isso me preparou um pouco para ser arqueólogo.
2. Qual o tamanho do desafio de ministrar um curso em uma das melhores Universidades do mundo, fora do seu país e numa outra língua?
Eu ganhei uma bolsa do Ministério da Educação do Brasil e do Rockefeller Center aqui de Harvard. Está sendo uma experiência muito rica, sem dúvida. Os alunos aqui são ótimos e interessados, mas os alunos brasileiros também são. Dou aula na USP e já dei aulas no Amazonas, Acre, Rondônia e Pará, e uma das minhas surpresas mais gratas foi verificar como tem melhorado em geral o nível dos alunos no Brasil. Eu fiz meu doutorado nos EUA, com bolsa do CNPq, então a língua não é um problema. As pessoas aqui têm muito interesse na Amazônia, às vezes mais que no próprio Brasil e, por isso, estou sendo muito bem recebido.
3. Como foi o seu primeiro contato e a sua primeira participação em uma pesquisa de campo na Amazônia? Quais as lembranças e as impressões deste primeiro trabalho?
A primeira vez que eu viajei à Amazônia eu ainda morava na Granja, em 1985. Peguei um ônibus e viajei dois dias até Belém, e de lá fui para a ilha de Marajó e depois para o Maranhão, que também faz parte da Amazônia. Foi uma viagem maravilhosa que me fez querer voltar. Em 1986 participei de um projeto de campo no rio Xingu, perto da cidade de Altamira, no Pará, e desde então nunca mais parei. Além do Pará, trabalhei no Amapá e por muitos anos no Amazonas. Atualmente minhas pesquisas são no Acre e em Rondônia.
4. Algum momento perigoso marcou essa sua trajetória na floresta?
No ano 2000 levei uma picada de cobra, que me deixou alguns dias no hospital e alguns meses de muleta. Já tive malária, dengue e outras doenças. Vi um querido amigo tomar um tiro e morrer ao meu lado. Qualquer uma dessas coisas, no entanto, poderia ter acontecido aqui em São Paulo, com exceção da malária.
5. Voltando a falar sobre o seu trabalho. Em termos de populações humanas, qual era o cenário na Amazônia antes da chegada dos europeus? (+ FOTO 21)
A arqueologia mostra hoje que a Amazônia era densamente ocupada antes do início da colonização europeia, ao contrário do que muita gente pensa. Isso é válido para outras áreas do Brasil também. O que passa é que em muitos locais a matéria-prima para construção era o solo, ao contrário de outros locais onde a rocha era utilizada. Os grupos que aqui viviam sucumbiram rapidamente às doenças trazidas do velho mundo pelos europeus, tais como varíola, sarampo, catapora etc. Quando os primeiros cientistas começaram a viajar pelo interior do país, alguns séculos depois encontraram regiões desabitadas, mas que eram densamente ocupadas antes.
6. Em quantas pessoas vocês calculam a população da Amazônia pré-cabraliana?
Ninguém sabe direito, mas trabalhamos com a hipótese de que 8 milhões de pessoas viviam na Amazônia antes de 1500.
7. Quais as interferências destas populações na biodiversidade da floresta? (+ FOTO 2)
Foram muitas. Plantas como o açaí ou a castanha-do-pará, que para nós são para “beliscar” eram importantíssimas. O chocolate era uma planta da Amazônia que foi levada até o México antes da conquista. Mandioca também. Abacaxi, guaraná e vários tipos de pimentas. Isso sem falar em inúmeras plantas não alimentícias, como a seringueira, que produz a borracha.
8. Quais espécies de plantas selvagens foram transformadas em cultivos agrícolas pelos povos nativos da Amazônia?
Talvez o caso mais interessante seja o da mandioca, que foi domesticada na Amazônia há mais de 7 mil anos, e hoje é cultivada e consumida em todo o mundo.
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2a9. Em que consiste o trabalho arqueológico na Bacia Amazônica?
Há dois tipos de pesquisa, que têm muito em comum, mas também diferenças: a acadêmica, realizada no âmbito de universidades e institutos de pesquisa; e a de contrato, ligada aos processos de licenciamento ambiental. Ambas estão voltadas para o entendimento do passado e podem gerar conhecimentos importantes, mas funcionam de maneira diferente
10. Quais os principais resultados das pesquisas de campo?
Há inúmeros resultados interessantes que surgiram nos últimos anos por toda a Amazônia. No Acre, por exemplo, centenas de estruturas geométricas de terra, conhecidas como “geoglifos”, vêm sendo identificadas nos últimos anos, algumas com mais de 3 mil anos. No Amapá encontraram-se estruturas de pedra posicionadas de acordo com a posição do sol em alguns dias específicos do ano, numa espécie de observatório. No Pará e no Amazonas há evidências de sítios de grandes dimensões, alguns deles, como o que está localizado sob a cidade de Santarém, equivalendo a possivelmente uma cidade pré-colombiana. Em Rondônia temos dados mostrando que o milho, uma planta com origem no México, já era cultivado há mais de 6 mil anos. Tem muita coisa interessante acontecendo. É um campo extraordinário de pesquisas.
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11. O principal material de pesquisa dos arqueólogos é a chamada “terra preta de índio”. Por favor, fale um pouco mais sobre isso? 
Na verdade trabalhamos com diferentes tipos de materiais, como objetos e fragmentos de cerâmica e pedra, restos de plantas e animais, e também de solo. A terra preta é um tipo de solo que foi formado no passado pelos índios e que é muito fértil. Tão fértil que os atuais agricultores o procuram para cultivas. A pesquisa neste caso está voltada para entender quais foram os processos responsáveis pela sua formação, que começou a ocorrer há pelo menos 2.500 anos atrás.
12. As recentes obras de usinas hidrelétricas na bacia do rio Amazonas podem impactar os sítios arqueológicos? É possível mensurar essas perdas? Quais os reais impactos pra região?
A legislação brasileira exige que estudos arqueológicos preliminares sejam realizados antes da construção de obras de impacto, tais como usinas, rodovias, gasodutos etc. Tais demandas geraram um aumento importante de pesquisas arqueológicas na Amazônia, o que é muito bom. Por outro lado, as dimensões e o desconhecimento prévio sobre a arqueologia da região colocam um limite sobre a capacidade de aprendermos tanto em tão pouco tempo. Arqueologia demanda tempo para a sua realização e calendário dessas obras é geralmente rápido. Assim sendo, em muitos casos populações locais de indígenas e ribeirinhos têm se posicionado contra tais obras, pelo impacto que geram sobre os seus locais de habitação, e cabe aos arqueólogos levar isso também em consideração.
13. Qual é a condição dos estudos arqueológicos na Amazônia brasileira: há estudantes e pesquisadores suficientes em campo hoje?
Há cada vez mais estudantes devido à expansão do ensino público que ocorreu nos últimos
anos no Brasil. Estados como Pará, Rondônia e Amazonas têm hoje cursos de graduação em arqueologia, alguns deles muito bem avaliados pelo MEC, em Porto Velho e Santarém. Há também importantes centros de pesquisa, como o Museu Emílio Goeldi, de Belém, um tesouro da ciência e cultura do Brasil, que em 2016 completa 150 anos.
14. Quais são as contribuições e as novas ideias que a arqueologia pode trazer para o debate sobre o futuro da Amazônia?
Creio que a principal contribuição é trazer algum conhecimento sobre formas de ocupação da Amazônia bastante diferentes das que vemos no presente. Não se trata de querer viver no passado, é claro, mas de pensar em maneiras mais organizadas de ocupação que respeitem a biodiversidade e a sociodiversidade da região. Depois de alguns anos de queda, o desmatamento voltou a crescer pelo Sul e Leste da Amazônia, o que é muito ruim, pois os eventuais benefícios dele resultantes são muito pequenos se comparados aos imensos problemas. A Amazônia é um patrimônio inestimável do Brasil, mas é também nossa responsabilidade cuidar dela com inteligência.
15. Para finalizar a nossa conversa Eduardo, como você enxerga o atual momento da Amazônia em relação a sua exploração e as medidas em curso para a sua preservação?
Penso que toda a instabilidade política pela qual passa o Brasil é muito ruim para a Amazônia. Houve no passado alguns erros cometidos, alguns irreversíveis, como a construção das usinas no rio Madeira e Belo Monte, mas havia também esforços genuínos e bem-sucedidos de, por exemplo, redução do desmatamento e homologação de terras indígenas, principalmente até 2010. Neste momento, dentre os apoiadores do atual governo, estão alguns dos maiores desmatadores da Amazônia.
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Um pouco mais sobre Eduardo Góes Neves
Graduado em História pela Universidade de São Paulo, Mestre e Doutor em Arqueologia pela Universidade de Indiana e Livre Docente pela Universidade de São Paulo. Professor Titular de Arqueologia Brasileira do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas, pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios (CESTA) da USP e coordenador do Laboratório de Arqueologia dos Trópicos do Museu de Arqueologia e Etnologia. Orientou 24 mestres e 8 doutores, além de bolsistas de iniciação científica. Orienta atualmente 8 doutorandos e 2 mestrandos. Tem cerca de 90 publicações, entre livros, artigos, capítulos de livro e textos de divulgação. É coordenador do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia do MAE-USP e do grupo de pesquisa “Ecologia Histórica dos Neotrópicos”, do CNPq. Elaborou o programa do Curso Superior de Tecnologia em Arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas. Coordenou o Programa de Pós-Graduação em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (2014-2016). Presidiu a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB) entre 2009 e 2011, e compôs a diretoria da Sociedade de Arqueologia Americana (SAA) entre 2011 e 2014. Foi coordenador adjunto da área de Antropologia/Arqueologia da CAPES entre 2011 e 2014, e membro do Conselho Assessor da Fundação Wenner-Gren de Pesquisas Antropológicas entre 2011 e 2015. Atualmente, encontra-se na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, como Professor Visitante do Dep. de Antropologia e do Rockefeller Center, ministrando cursos sobre a arqueologia da Amazônia.
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Sobre o livro Arqueologia da Amazônia
Eduardo Neves defende nessa obra que a investigação do passado da Amazônia, ao contrário do que se imagina, tem milhares de anos de ocupação humana e pode ajudar no planejamento de um futuro sustentável para a região. Propõe um olhar voltado ao passado para implementação de estratégias para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Indispensável para entender o complexo contexto político e ecológico da região.
Editora Jorge Zahar / Ano 2006
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Sobre a exposição
Unknown Amazon – Culture In Nature In Ancient Brazil
(Amazonia Desconhecida – Cultura na Natureza no Brasil Antigo)
Traz à vida as tradições culturais da floresta tropical do Brasil, uma vasta área onde as pessoas viveram a milhares de anos, desenvolvendo estilos de arte sofisticadas, muito antes do contato europeu com Americas. British Museum (25 de Outubro de 2001 a 01 de Abril de 2002) – Londres – Inglaterra


Texto Original: http://www.revistacircuito.com/?p=18007
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NEAI debate arqueologia amazônica e a construção da história indígena

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NEAI debate arqueologia amazônica e a construção da história indígena

O palestrante, arqueólogo do MUSA, Filippo StampanoniO palestrante, arqueólogo do MUSA, Filippo StampanoniNa última sexta-feira (30), o Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (NEAI), do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da UFAM, promoveu a palestra “A arqueologia amazônica e a construção de uma história indígena de longa duração”. Ministrado pelo arqueólogo do Museu da Amazônia (MUSA), Filippo Stampanoni Bassi, o evento faz parte da programação dos Seminários de Pesquisa do NEAI.
A palestra foi dividida em dois momentos: uma retrospectiva dos primeiros estudos arqueológicos na Amazônia, com pesquisadores como Betty Meggers, Clifford Evans e Peter Hilbert; e a apresentação do estudo de caso do contexto doméstico pré-colonial na região da Amazônia Central. Fillipo Stampanoni explanou a respeito da escavação na região do baixo rio Urubu (AM), que resultou na tese “A maloca Saracá: uma fronteira cultural no médio Amazonas pré-colonial, vista da perspectiva de uma casa”.
A partir da apresentação, foram propostas considerações sobre processos sociais indígenas da época, como a casa sendo usada como espaço político, e o “reaproveitamento” do passado dos povos indígenas por eles mesmos, com a reinterpretação da arte rupestre na cerâmica.
Segundo Filippo Stampanoni, “o seminário foi pensado a partir da necessidade da Arqueologia em se reaproximar da História, no esforço para a criação de uma história indígena de longa duração”. Ainda para o pesquisador, é necessário que um diálogo seja estabelecido entre as áreas de estudo, e o discurso seja ampliado para além dos arqueólogos, envolvendo, também, antropólogos e, sobretudo, os povos indígenas.


Texto original: http://www.ufam.edu.br/noticias-bloco-esquerdo/5947-neai-debate-arqueologia-amazonica-e-a-construcao-da-historia-indigena
Seminário debateu caminhos para a construção de uma história indígena de longa duraçãoSeminário debateu caminhos para a construção de uma história indígena de longa duração
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7 de dezembro de 2015

Urnas funerárias são encontradas em sítio arqueológico na região de Porto Velho

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Um sítio arqueológico foi descoberto no mês de setembro na comunidade Nova Aliança, região do Baixo Madeira, em Porto Velho, e confirmado por uma equipe de professores do curso de arqueologia da Universidade Federal de Rondônia (Unir), que encontrou na localidade vestígios de ocupação humana, com data ainda desconhecida.

Equipe formada por técnicos da Unir, Sejucel, Exército e Iphan fazem escavação para coletar material

Após pesquisas realizadas no local, foi iniciada na última semana a escavação para o resgate de 12 urnas  funerárias com registros de sepultamento humano, e materiais para análise para ser estimada a idade dos objetos. A equipe de escavação foi composta por  professores e acadêmicos da Unir, e uma arqueóloga da Superintendência Estadual da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel) com o apoio do Exército e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan).
O material coletado está no laboratório de arqueologia da Unir, onde deve permanecer até ser finalizada a escavação e a identificação dos mesmos. Segundo a arqueóloga Alyne Mayra, trabalhos como esses são de extrema importância, pois evidenciam processos de ocupação pré-colonial e mostram um pouco das populações que aqui viveram e deixaram seus vestígios.
Para o superintendente Rodnei Paes, descobertas como esta nos levam a entender como viviam os povos no passado e a preservar a memória e a cultura da rica história de Rondônia.
De acordo com a diretora do Museu, Ednair Nascimento, após finalizada as pesquisas, as urnas e os esqueletos humanos irão para exposição no Museu Palácio da Memória Rondoniense, antigo Palácio Presidente Vargas, onde funcionava a sede do governo e que hoje abriga todo o acervo histórico e pré-histórico que está sob a guarda do estado.


Republicado de: http://www.rondonia.ro.gov.br/2015/12/94684/
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